Entramos no horário do turno
Se a doca abre às cinco da manhã, é às cinco que chegamos. Boa parte do que trava a operação acontece na virada de turno, na troca de encarregado e na primeira hora, e nada disso aparece em visita marcada para as dez.
O que fica na sua casa depois que saímos do galpão.
Desenho do processo atual com esperas, retornos e conferências repetidas marcadas uma a uma.
Quanto leva cada etapa, medido no posto, com data e turno de cada medição anotados.
Uma página por posição, na linguagem de quem trabalha nela, pronta para ser pendurada.
Listas curtas de entrada e de saída, com campo de assinatura e espaço para divergência.
Bloco com campos fixos para o que o turno seguinte precisa saber antes de começar.
Poucos números, definidos com a direção, com a fonte de cada um escrita ao lado.

Ninguém descreve o próprio trabalho como ele é de verdade — descreve como deveria ser. Por isso a primeira semana é de olhar, cronometrar e perguntar, e nada é proposto antes de o desenho estar de pé.
Se a doca abre às cinco da manhã, é às cinco que chegamos. Boa parte do que trava a operação acontece na virada de turno, na troca de encarregado e na primeira hora, e nada disso aparece em visita marcada para as dez.
Medimos quanto tempo leva descarregar, conferir, endereçar e separar, quantos metros o separador anda por pedido e quantas vezes a mesma caixa é tocada. Sem esses números, discussão de processo vira disputa de opinião.
Conversamos com conferente, separador, empilhadeirista, motorista e encarregado, um a um, longe do gestor. A versão da gerência e a versão do piso quase nunca coincidem, e a diferença entre as duas já é metade do retrato da operação.
Passamos o fluxo para o papel na reunião, com quem executa olhando e corrigindo. Quando um quadrado está errado, alguém do piso fala na hora — e é isso que impede o desenho bonito e falso.
Cada mudança sai com nome de quem responde, data de início e o documento que a sustenta. Combinação que existe só na memória da reunião dura até a primeira semana cheia.
Relatos de operações que passaram pelo trabalho nos últimos dois anos, publicados com autorização de cada empresa.
A contagem parava o galpão por um dia inteiro. Trocamos por contagem cíclica por rua, com calendário. Ficou a planilha de ciclos e a folha de divergência.
Caixa amassada voltava para o estoque sem ninguém saber de onde vinha. Criamos o registro de avaria com foto na entrada. Ficou o formulário e a rotina semanal de leitura dele.
A loja pedia ao depósito por sensação de falta. Definimos ponto de pedido por item com base em três meses de saída. Ficou a planilha de parâmetros e o procedimento de pedido.
Carga saía sem checagem contra o romaneio. Colocamos dupla assinatura na porta do caminhão. Ficou o checklist de saída e o relatório semanal de divergências.
Marcamos uma visita de duas horas no seu horário de pico, andamos pelo galpão junto com o encarregado e devolvemos por escrito o que dá para tratar primeiro e o que exige um trabalho maior.